São tempos de represa

Espera,


este não é um poema imediato

está ainda nascendo entre dentes

amargando lábios

pulsando na ponta da língua

Assim como o poema São tempos de represa, toda a poesia de Louise Queiroz é uma pausa, um hiato, um intervalo entre o dito e o não dito. É uma intenção de romper o silêncio, de prestar reverência àquilo que, antagonicamente, a paralisa e a põe em movimento. É uma tentativa de fala articulada no espaço da memória. É tempo em suspensão. É ar retido no peito. É imagem. É força.

Jovem, negra, mulher, lésbica, baiana. Assim é Louise, assim é sua produção literária: forte na identidade negra e alicerçada em suas raízes religiosas do Candomblé. girassóis estendidos na chuva, seu primeiro livro, é um exercício de estar em silêncio e fazer um movimento de escuta, deixando ecoar internamente todas as vozes – as ancestrais e as nossas – e, a partir daí, dar corpo e fluidez à palavra. É um conjunto de poemas que condensam fúria, erotismo e ritmo. É proximidade com a intimidade de uma mulher negra e seus açoites e gozos. É um livro de poemas que diz até mesmo aquilo que não disse/palavra debruçada sobre a arcada do indizível. É um chão vestido de poesia que dança com os signos e então torna todo o profundamente real, linguagem. É possível que os versos estejam à mingua de lirismo e ainda assim digam mais do excesso que da falta.

Sobre a autora__Louise Queiroz nasceu em Salvador, Bahia, em 1993. É poeta e estudante de Letras na Universidade Federal da Bahia. Tem poemas publicados nas coletâneas Enegrescência (2016), Cadernos negros 39 – poemas afro-brasileiros (2016), Kama – poemas e contos eróticos, no e-book Cadernos Araxá e em sites como Diários Incendiários e Escritoras Negras da Bahia.  girassóis estendidos na chuvaé seu primeiro livro.

Sobre o ParaLeLo13S_selo da livraria boto-cor-de-rosa iniciou suas publicações em 2017, tendo editado, até o momento, poemas do sim e do não, de Marcia Vinci;Contos ordinários de melancolia, de Ruth Ducaso/Luciany Aparecida; Pensamentos supérfluos: coisas que desaprendi com o mundo, de Evanilton Gonçalves, Tipografia oceânicae Sábado, ambos de Sarah Rebecca Kersley; Palavras da crítica contemporânea, org. Luciene Azevedo e Antonio Marcos Pereira; e novas ofertas de emprego para ederval fernandes, de Ederval Fernandes. girassóis estendidos na chuvacompleta o catálogo.

Sobre o lançamento__

Quando__ Sexta-feira, 03 de maio de 2019, às 18h30

Onde__Goethe-Institut Salvador (Av. Sete de Setembro, 1809 – Corredor da Vitória, Salvador)