Helen Salomão

Helen Salomão, 26 anos, fotógrafa e poeta, mostra nos seus trabalhos o posicionamento político através da estética, empoderamento feminino e negro, celebrando o jovem negro vivo, periferia sem sangue e a poesia dos corpos e espaços.

Eu Clandestina,
Insana, hostil, dose de cachaça, amor mandacaru, vencida.
Eu Clandestina,
Sangro em beco sem saída, flor coagulada, despedaçada, vezes, quase nunca chora.
Eu Clandestina,
Terço de uma das metades, pow pow,pow, tiros, magoas apodrecidas, empretecidas, podres feridas, mulher invadida, prato sujo na pia no horário de meio dia, puta que pariu 7 caminhos.
Eu clandestina,
Envelhecida, perdeu a serventia depois de abortar relacionamentos vazios.

Citações

"Mulher Negra sol de existir já resiste, Mulher Negra, é mulher livre!

Mini Biografia

Sempre gostei de escrever, mas comecei a mostrar os meus escritos quando entrei no curso de fotografia e logo depois a recitei dentro dos ônibus. Comecei fazendo com duas amigas e as vezes encarava fazer só. Hoje já não recito nos ônibus como antes, senti minha energia muito fragilizada, por conta da falta de respeito e preconceito de algumas pessoas na rua. Depois comecei a unir a minha poesia escrita com palavras com a poesia escrita pela luz e assim nascem alguns dos meus projeto fotopoéticos.

 

Tenho um projeto fotopoético recente: o Projeto Casa Corpo Pele Parede.

O Projeto Casa Corpo Pele Parede vem mostrar através da fotografia e poesia, cicatrizes, marcas, experiências e histórias de corpos, peles e almas de mulheres reais. O projeto surgiu depois de uma poesia onde falo de processos em que o corpo pode passar e faz a relação corpo x casa, pele x parede, mostrando que o corpo é morada, que a pele conta histórias internas e é reflexo de experiências e intervenções.

E logo depois convidei para um ensaio fotográfico Sista Katia, Dai Costa, Bruna Barreto, Esther Vale, Marie Silva, Bell Rocha, Sabrina Castro e Maria Clara. Mulheres que já conheço um pouco de suas histórias e acredito que precisam ser compartilhadas.
No ensaio, estas mulheres mostram a poesia dos seus corpos e depois escrevem de forma individual um pequeno texto sobre suas vivências corporais marcadas na pele e de como elas se sentem.

O objetivo do projeto é contar as histórias dessas mulheres reais que não estão nos livros, porque assim gera representatividade, autoestima, empoderamento e mostra para a sociedade como um todo que o padrão é ser você mesmo.

E para que essa mensagem seja transmitida, viso fazer uma exposição aberta ao público, junto com um catálogo onde terá todo o conteúdo produzido.

Para que essa exposição e distribuição de catálogos aconteça é preciso que colaboradores possam somar. Que pode ser de um espaço para exposição a impressões das obras.

 

Tatuei,
Cicatrizou,
Cicatriz,

Sustentou,

Resistiu.

Ainda que eu não queira mais,
Está!
Ainda que eu não possa ter escolhido,
Surgiu!

Cortou,
Contou história,
Cor- loriu,
Constelo estrelas,
Por todo a casa sem telha.

Encheu,
Esvaziou,
Envelheceu,
Nasceu,
Amor.

Parede tela,

Que espelha minha alma,
minha casa,
De nome,

Eu.