Louise Queiroz

Louise Queiroz escreve poesias e participou das antologias “Enegrescência – coletanea poética” e “Cadernos Negros 39 – poemas afro-brasileiros”.

Citações

Quando ouço a pergunta "O que é ser mulher negra?" imediatamente a palavra que vem a minha mente é Resistência

Escrevo para romper represas.
Aprendi a enaltecer minha cor
e hoje são pretos os meus caminhos.

Tenho muita fé na palavra-preta e é através dela que busco tecer empoderamento e reconhecimento nas vidas que me leem.

E é quando deito meus olhos na palma das palavras que sou resistência.

Mini Biografia

Mulher negra e lésbica, estudante de Letras na Universidade Federal da Bahia, nascida e criada em Salvador. Em 2016 publicou pela primeira vez no livro Enegrescência – Coletânea poética e no mesmo ano participou do Cadernos Negros 39 – poemas afro-brasileiros.

“Quando me reconheci enquanto mulher negra me descobri mais forte. Foi no seio da literatura que encontrei força para ressignificar o meu olhar forjado sobre mim mesma. E é quando deito meus olhos na palma das palavras que sou resistência. Tenho muita fé na palavra-preta e é através dela que busco tecer empoderamento e reconhecimento nas vidas que me leem.

Escrevo para romper represas.

Aprendi a enaltecer minha cor
e hoje são pretos os meus caminhos.”

Quando ouço a pergunta “O que é ser mulher negra?” imediatamente a palavra que vem a minha mente é Resistência. Nós, mulheres negras, temos que tentar resgatar e reconstruir uma visão positiva de nós mesmas diariamente, porque, desde muito novas somos ensinadas a nos olhar com os olhos do opressor e não com os nossos próprios olhos, essa triste imposição eurocentrada derrama sobre nossos corpos uma visão totalmente forjada de nós mesmas. Aprender a nos olhar com amor e admiração, é também aprender a enxergar as nossas iguais com o afeto e cuidado que viemos lutando para construir. Ser mulher negra e lésbica é resistir triplamente, rompendo as estruturas desse sistema racista, machista e lesbofóbico. Conceição Evaristo afirma isso com maestria neste trecho do conto Beijo na face: “Salinda contemplou-se no espelho. Sabia que ali encontraria a sua igual, bastava o gesto contemplativo de si mesma. E no lugar de sua face, viu a da outra. Do outro lado, como se verdade fosse, o nítido rosto da amiga surgiu para afirmar a força de um amor entre duas iguais. Mulheres, ambas se pareciam. Altas, negras e com dezenas de dreads a lhes enfeitar a cabeça. Ambas aves fêmeas, ousadas mergulhadoras na própria profundeza.”